CERATOCONE

        A palavra ceratocone tem origem em duas palavras gregas: kerato (que significa córnea) e konos (que significa cone). O ceratocone é uma distrofia não inflamatória, na qual a baixa rigidez do colágeno corneano permite que a córnea sofra abaulamento e afinamento progressivos, adquirindo uma forma cônica, conforme o próprio nome diz. Com esta forma, provoca um astigmatismo irregular que causa embaçamento e distorção na visão.

    Sua incidência é de aproximadamente 54 casos para cada 100.000 habitantes e as manifestações clínicas irão surgir entre os 10 e os 30 anos de idade. A doença geralmente inicia-se na adolescência, sendo progressiva em 20-30% dos casos. Em cerca de 95% destes, o ceratocone deixa de evoluir e estabiliza entre os 30 e 40 anos de idade. A progressão do ceratocone não segue um padrão pré-determinado. Recomenda-se, portanto, visitas periódicas ao oftalmologista para acompanhamento com exames específicos e adequação do tratamento ao estágio do ceratocone.

     Apesar do grande número de pesquisas sobre a origem do ceratocone, não existe uma resposta definitiva sobre o assunto. Vários estudos demonstram que o ceratocone é multifatorial: existem os fatores genéticos, ambientais e celulares, e qualquer um deles pode formar o gatilho que irá dar início a doença.


      Dentre as doenças já associadas ao ceratocone podemos citar a rinite, a alergia crônica (atopia), e a Síndrome de Down. Existem indícios que associam o ceratocone ao ato de coçar os olhos. Isso pode ser causado pelo trauma mecânico na córnea assim como pela liberação de substâncias pró-inflamatórias na lágrima.

Sinais e sintomas

    Nas fases iniciais a visão poderá ser afetada levemente e os principais sintomas são:

  • Embaçamento visual e/ou distorções moderadas;

  • Fotofobia;

  • Irritações;

  • Ofuscamento.


     No caso de evolução da doença e conseqüente maiores alterações da córnea:

  • A visão vai se tornando mais embaçada e distorcida tanto para longe quanto para perto;

  • Aparecimento de diplopia (visão dupla) ou poliopia (visão de vários objetos) no olho afetado.

Exame oftalmológico de jovens (primeiro óculos), deve incluir a tomografia de córnea e às vezes a aberrometria das córneas, para excluir ceratocone.

Diagnóstico

         O diagnóstico é feito clinicamente através de indícios (como mudanças frequentes da refração e a impossibilidade de conseguir boa acuidade visual com óculos) e do exame oftalmológico completo, devendo ser confirmado através de exames complementares, como:
 

  • Topografia Corneana Computadorizada - Eyemap;

  • Paquimetria Ultrassônica;

  • Aberrometria - Zywave;

  • Orbscan - Tomografia de Córnea e Segmento Anterior.


      Podemos diagnosticar precocemente alterações corneanas através de equipamentos altamente sensíveis e específicos como o ORBSCAN (Tomógrafo de Córnea), que faz um mapeamento em terceira dimensão córnea baseado na sua curvatura e espessura, e o EyeMAP, Topógrafo de córnea que possui o índice Rabinowitz para diagnóstico de ceratocone. Com isso, distrofias corneanas como o ceratocone ou ectasias são facilmente diagnosticadas e sua progressão (ou não) pode ser acompanhada com maior precisão.

 

Tratamento

           O objetivo do tratamento do ceratocone é proporcionar a melhor visão possível ao paciente, de acordo com o estágio e a severidade da doença, bem como das necessidades individuais de cada um. Durante a consulta de avaliação, exames específicos nos ajudam a definir qual o estágio do ceratocone e a melhor indicação de tratamento para cada caso.


       Nos casos iniciais pode ser suficiente o uso de óculos. Conforme a evolução da doença, podemos dispor do auxílio de lentes de contato específicas para ceratocone ou de outras formas de tratamento como o cross-linking corneano, o laser de superfície (PRK / LASEK), a ceratoplastia lamelar e o transplante penetrante de córnea.

MTSC

 

          A técnica desenvolvida aqui no Instituto de Olhos Reynaldo Rezende é conhecida como MTSC - Método Seqüencial de Tratamento do Ceratocone.

 

      O método, apresentado e premiado com menção honrosa no World Córnea Congress, realizado em Washington em 2005, é uma associação da técnica de Ceratoplastia Lamelar com a aplicação do Laser Superficial Personalizado para a regularização da superfície corneana e correção do astigmatismo irregular.

        Recentemente, com a introdução da técnica de Cross-Linking Corneano, estudos científicos têm demonstrado resultados promissores em associação com o laser de superfície (PRK / LASEK), objetivando maior estabilidade da córnea e melhoria da visão.

 

Ceratoplastia Lamelar

Tratamento do Ceratocone

 

       O tratamento ideal seria a substituição apenas dos tecidos doentes. Ou seja, se a patologia instala-se primariamente na camada epitelial e estromal superficial, deve-se optar pela cirurgia que substitua apenas essas porções, mantendo as camadas saudáveis (endotélio), reduzindo o risco de rejeição e favorecendo uma recuperação visual mais rápida.


      No Centro de Correção da Visão - Instituto Reynaldo Rezende utiliza o Método de Tratamento Seqüencial do Ceratocone - MTSC, que possibilita uma reabilitação estrutural e refrativa em um período de 4 a 6 meses, dependendo do grau de comprometimento corneano. As etapas podem ser classificadas como segue:



     Correção do formato anormal e restauração da transparência da córnea através da técnica de Ceratoplastia Lamelar. Essa etapa pode ser assistida por Excimer Laser, em caso de córneas muito finas, ou realizada com a utilização de um microcerátomo especial.


     Realizamos nesta etapa a remoção de opacidades e o espessamento da córnea, como um reforço ou cintagem, prevenindo assim a recidiva da ectasia (abaulamento da córnea). Em até três meses realizamos a remoção das suturas da córnea e preparamos o paciente para a segunda etapa do tratamento.



        Correção dos erros refracionais, inclusive do astigmatismo irregular, através da utilização do Excimer Laser.Nosso equipamento é capaz de corrigir de forma personalizada aberrações esféricas e de alta ordem com a utilização da moderna tecnologia de frente de ondas (wavefront).


        Vantagens em relação ao tratamento convencional (transplante penetrante):

  • Segurança do procedimento. Apenas a porção anterior da córnea é trocada, e a porção interna, o endotélio, não é manipulada. Essa técnica diminui quase por completo a chance de rejeição do tecido corneano transplantado;

  • Indicação de tratamento precoce. Devido a segurança e bons resultados, não necessitamos aguardar uma baixa de visão significante e debilitante antes de intervir;

  • Não há necessidade de recorrer ao uso de lentes de contato rígidas e de difícil adaptação, inclusive associada por muitos à indução da progressão do ceratocone;

  • Nos casos em que o ceratocone é leve, inicial ou frustro, apresentando apenas astigmatismo irregular, podemos como primeira etapa realizar o Laser superficial, para regularização da superfície corneana permitindo melhor acuidade visual sem a utilização de lentes de contato rígidas.

 

Cross-Linking

      O cross-linking do colágeno corneano é uma técnica inovadora para o tratamento de pacientes com ceratocone e ectasias de córnea. O precursor da técnica foi o Dr. Theo Seiler, MD, PhD (Zurique - Suíça), que popularizou o uso da riboflavina e do UVA para o enrijecimento do tecido corneano. É uma técnica não invasiva, já utilizada há mais de 5 anos na Europa, e recentemente introduzida nos Estados Unidos e no Brasil.


         O Cross Linking corneano não cura o ceratocone, ele é utilizado com o objetivo de evitar sua progressão. O procedimento aumenta a rigidez corneana em cerca de 50%, fortalecendo-a e tornando-a menos sujeita à deformação.
Esta técnica pode ser associada ao laser de superfície (PRK / LASEK), na tentativa de evitar a progressão do ceratocone e ao mesmo tempo permitir a melhoria visual.

 

Segunda Etapa: Correção Óptica / Refrativa

Primeira Etapa: Correção Estrutural

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